Teatro Experimental Petropolitano celebra 70 anos com espetáculo que resgata a memória teatral de Petrópolis´.
Por Administrador
Publicado em 28/10/2026 10:08
Entretenimento

Teatro Experimental Petropolitano celebra 70 anos com espetáculo que resgata a memória teatral de Petrópolis

Apresentação no Teatro Imperial reúne cenas de montagens históricas, relembra a trajetória da companhia e homenageia Shirley Meirelles dos Santos, referência nos bastidores do grupo

 

O Teatro Experimental Petropolitano (TEP) celebra 70 anos de história com uma apresentação especial na quinta-feira, 29 de outubro, às 20h, no Teatro Imperial, em Petrópolis. A programação reúne um documentário sobre a trajetória da companhia e sete cenas curtas de montagens marcantes, interpretadas por integrantes de diferentes gerações. O espetáculo também homenageia Shirley Meirelles dos Santos, que dedicou cerca de cinco décadas ao grupo, atuando na criação de figurinos, cenários e caracterizações.

 

A história do TEP começou a ser construída em 1950, quando a demolição do antigo prédio da Escola de Música Santa Cecília deixou sem espaço diversos grupos teatrais que ensaiavam e se apresentavam no local. Entre eles estavam o Elenco Rosicler, o Grêmio Litero-teatral Arthur Azevedo e o Elenco Azul de Amadores Reunidos.

 

Com a inauguração do novo Teatro Santa Cecília, em 1955, surgiu a oportunidade de reunir esses artistas em uma grande montagem. A iniciativa para a união dos grupos e criação do TEP partiu de Paulo Gomes dos Santos e Ernesto Pereira. Frei Matheus contribuiu apresentando o texto para a montagem, então diretor da Ordem Terceira de São Francisco, o Frei desejava levar ao palco a peça “A Canção dos Indigentes”, de Reynaldo Heitor de Souza, sobre a vida de Santa Isabel da Turíngia.

 

Os preparativos mobilizaram atores, cenógrafos, profissionais de figurino e maquiagem, além de representantes do poder público, do comércio, da indústria e da imprensa. A estreia ocorreu em maio de 1956, com dez apresentações entre os dias 20 e 27, todas com lotação esgotada. A renda foi destinada a instituições de assistência social. O sucesso marcou a consolidação do Teatro Experimental Petropolitano.

 

Da formação de artistas aos prêmios em festivais

Nas décadas seguintes, o TEP ampliou seu repertório e conquistou espaço na cena cultural fluminense. Entre as montagens de destaque estão “O Santo Milagroso”, “Um Tigre no Banheiro”, “A Noite de Teresa Cibalena” e “Transas, Troças, Tragédias e Trombadas”.

 

A companhia também investiu no teatro infantil, com textos de J. Eloy Santos, entre eles “O Casamento da Bruxa”, “O Tesouro de Manteiga” e “A Galinha Borralheira”. Esta última conquistou o prêmio de melhor espetáculo no Festival de Teatro de Saquarema, além de reconhecimentos em outras categorias. Em 1988, “A Noite de Teresa Cibalena” venceu o Festival de Niterói.

 

Ao longo de sua trajetória, o grupo também promoveu oficinas, contação de histórias, leituras dramatizadas e atividades educativas. O núcleo Recontando de Teatro, criado no fim dos anos 1990, contribuiu para essa atuação. Entre 2006 e 2020, a peça “Foi o Macaco” foi encenada cerca de cem vezes, passando por escolas públicas e privadas, distritos de Petrópolis e pela primeira edição da Festa Internacional de Teatro de Angra dos Reis, em 2008.

 

Embora tenha realizado menos montagens em determinados períodos, o TEP não interrompeu suas atividades. Em 2006, na comemoração dos 50 anos, a Fundação de Cultura de Petrópolis promoveu uma homenagem ao grupo, com a remontagem de “A Galinha Borralheira” e uma exposição sobre sua história. Mais recentemente, a companhia apresentou “A Festa”, em 2024, e participou, em 2025, do projeto de Leituras Dramatizadas do Teatro Imperial com a peça “Mulher em Decúbito”, de Nestor de Holanda.

 

Um acervo que preserva sete décadas de história

A memória do TEP é preservada por Joaquim Eloy Duarte dos Santos, criador do grupo, que mantém um acervo com mais de três mil fotografias, vídeos, livros de atas e registros manuscritos das montagens realizadas desde 1956. A documentação reúne informações sobre espetáculos, elencos, equipes técnicas e apresentações, constituindo uma fonte importante para a história do teatro em Petrópolis.

 

A companhia também mantém contato com antigos integrantes. Para a celebração dos 70 anos, cerca de 20 artistas e profissionais estão reunidos, incluindo participantes de diferentes gerações que contribuíram para a trajetória do grupo.

 

A preservação dessa memória ganha destaque na programação comemorativa, que busca aproximar o público da história do TEP e reconhecer o trabalho de artistas e técnicos que ajudaram a construir sua identidade.

 

Homenagem a Shirley Meirelles dos Santos

A proposta do espetáculo comemorativo também nasceu do desejo de homenagear Shirley Meirelles dos Santos, falecida em 2025. Integrante do TEP desde 1958, ela dedicou décadas à preparação de figurinos, cenários e caracterizações, desempenhando papel fundamental nos bastidores.

 

Foi no grupo que Shirley conheceu seu futuro marido, com quem formou uma família ligada às artes. A homenagem reconhece sua contribuição e destaca a importância dos profissionais que, mesmo longe dos refletores, são essenciais para a realização de uma produção teatral.

 

Retorno ao palco das origens

A escolha do Teatro Imperial tem significado especial: o espaço abrigava o antigo Teatro Santa Cecília, onde o TEP estreou em 1956. A apresentação reunirá um documentário sobre a fundação da companhia e sete esquetes de montagens marcantes, cada uma precedida de uma breve contextualização.

 

Sempre que possível, as cenas serão interpretadas pelos atores das montagens originais. Quando isso não é viável, outros integrantes assumem os papéis, mantendo vivo o repertório da instituição. Ao longo de sete décadas, o TEP também contribuiu para a formação de artistas que construíram carreiras profissionais, entre eles Vania Moreira, Natan Cardoso, Fábio Branco e Flávia Miranda.

 

Após as comemorações, a companhia pretende intensificar os ensaios, realizar novas montagens e estabelecer a meta de produzir um espetáculo por ano. A iniciativa busca fortalecer sua presença no cenário cultural petropolitano e ampliar o contato com novas gerações.

 

Mais do que marcar uma data, os 70 anos do Teatro Experimental Petropolitano representam a oportunidade de reconhecer uma trajetória construída coletivamente, preservar a memória das artes cênicas locais e reafirmar o compromisso com a difusão do teatro.

 

SERVIÇO

Teatro Experimental Petropolitano — 70 anos

Data: quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Horário: 20h

Local: Teatro Imperial, Petrópolis

Duração: 90 minutos, sem intervalo

Ingressos: a partir de R$ 5 (meia-entrada), disponíveis na bilheteria do teatro e pela plataforma Ingresso Digital.

Acessibilidade: tradução simultânea em Libras.

Recomendação etária: a partir de 12 anos. Crianças menores podem assistir acompanhadas dos responsáveis.

TEP - Canção dentro do pão

Shirley Meirelles dos Santos

Comentários
Comentário enviado com sucesso!

Chat Online